O CINZEL E O FOGO
- Douglas Galvao
- há 5 dias
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“A paciência de quem persevera na intercessão”

Durante muitos anos, a mãe sofria profundamente ao ver o filho envolvido nas drogas. Ela tentava resgatá-lo com as próprias forças, indo atrás dele, discutindo e insistindo para que mudasse de vida, mas nada dava resultado.
Tudo começou a mudar quando uma mulher de Deus lhe deu um conselho simples, porém poderoso: "Descanse no Senhor." A partir daquele momento, ela decidiu entregar a situação nas mãos de Deus, perseverar em oração e confiar que ele faria a obra.
Depois dessa decisão, sua postura mudou. Ela deixou de agir no desespero e passou a enfrentar as situações com paz e confiança em Deus, mesmo diante de momentos muito difíceis. Foi justamente quando ela descansou no Senhor, teve paciência e perseverou em oração que Deus começou a trabalhar no coração do filho. Aos poucos, houve transformação, culminando em sua conversão e no testemunho da obra que Deus realizou em sua vida.
Um intercessor precisa ser alguém revestido de paciência, pois constantemente lida com corações endurecidos (Lc 18:1; Tg 5:7-8).
Moisés é uma tipologia de intercessor longânimo. Deuteronômio 10:1-5 explica bem essa revelação, quando o Senhor ordena a Moisés:
"Naquela ocasião, o Senhor me ordenou: 'Talhe duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras e suba ao monte para encontrar-se comigo. Faça também uma arca de madeira. Eu escreverei nas tábuas as palavras que estavam nas primeiras, que você quebrou, e você as colocará na arca.' Então fiz a arca de madeira de acácia, talhei duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras e subi ao monte com as duas tábuas nas mãos. O Senhor escreveu nelas o que tinha escrito anteriormente, os Dez Mandamentos que havia proclamado a vocês no monte, do meio do fogo, no dia em que estavam todos reunidos. O Senhor as entregou a mim, e eu voltei, desci do monte e coloquei as tábuas na arca que eu tinha feito. Lá ficaram, conforme o Senhor tinha ordenado."
Moisés representa o ministério profético que utiliza a ferramenta da intercessão para que corações endurecidos sejam lavrados e preparados para receber os mandamentos, ou seja, a Palavra de Jesus (Ez 36:26-27; Jr 31:33). A paciência do intercessor não o faz desistir diante da resistência do coração dos homens (Gl 6:9).
Moisés chama Israel de povo teimoso por diversas vezes em Deuteronômio, revelando sua natureza (Dt 9:6-7; Dt 9:24). Essa realidade também representa a nossa, pois o homem caído possui um coração endurecido (Ez 3:7; Mc 8:17). Entretanto, o clamor e a oração fazem com que o Espírito Santo convença do pecado, da justiça e do juízo, levando o homem ao quebrantamento, para que o Senhor encontre um coração onde possa habitar (Jo 16:8; Sl 51:17).
Os historiadores afirmam que o local tradicionalmente identificado como o Monte Sinai é composto predominantemente por granito vermelho, uma rocha ígnea extremamente dura e durável, abundante naquela região. Moisés fez um grande esforço para remover os pedaços de pedra que se tornariam as tábuas, representando o coração endurecido de Israel, preso às coisas da terra (Êx 34:1; Ez 11:19).
Quais instrumentos Moisés utilizou para essa façanha? Provavelmente um cinzel de bronze, revelando uma ferramenta simples e rústica. O Senhor poderia ter lhe dado algo tecnologicamente mais avançado para remover aquelas pedras; porém, não foi assim. O trabalho foi manual. Existem obras que o Senhor poderia realizar sozinho, mas escolhe confiar parte desse processo aos seus servos, revelando se permanecerão fiéis e perseverantes na intercessão (1Co 3:9; 2Co 6:1).
Assim como uma pedra não é moldada por um único golpe, um coração endurecido também não é transformado por uma única oração. Por isso, o intercessor precisa perseverar (Lc 18:1-8; Cl 4:2).
A Igreja, representada por Moisés, recebeu o Espírito profético e, por meio da intercessão, participa da preparação dos corações, inclusive do coração de Israel (At 2:17; Rm 10:1). A intercessão não escreve a Palavra no coração, mas prepara o terreno para que Deus realize essa obra (1Co 3:6-7).
O Senhor poderia ter dado a responsabilidade a Moisés de escrever os Dez Mandamentos nas tábuas, mas não fez assim, pois somente a mão de Deus tem poder para escrever no coração do homem (Êx 31:18; 2Co 3:3). O papel de Moisés era preparar a pedra; o de Deus era escrever nela. É o próprio Yeshua, a mão direita, a destra poderosa do Pai, quem escreverá a Torá na alma de Israel (Jr 31:33; Hb 8:10).
O Senhor escreveu os mandamentos com o dedo de fogo, aprofundando-se no lugar resistente e queimando esse lugar (Êx 31:18; Dt 9:10). Por que o fogo? O fogo representa a justiça de Deus e o mandamento recebido por meio da provação (Dt 4:36; Ml 3:2-3). No caso de Israel, essa provação se manifesta nas perseguições e nos ataques (Zc 13:9).
Observe: todas as vezes em que Israel foi perseguido, houve um retorno à Torá. Precisamos entender que, na Torá, está a revelação do Messias, e o processo de reconhecimento de Yeshua como Senhor parte desse lugar (Jo 5:39; Lc 24:27).
A própria história de Israel testemunha esse princípio. Sempre que o fogo da provação se intensifica, cresce também a busca pelo Deus de seus pais e pela Sua Palavra (Os 5:15; Dt 4:29-31).
Após a Segunda Guerra Mundial, marcada pelo assassinato de cerca de seis milhões de judeus no Holocausto, fortaleceu-se o combate ao antissemitismo e o movimento sionista, culminando no reconhecimento do direito do povo judeu à sua terra. As Nações Unidas reconheceram o estabelecimento do Estado de Israel em 1948. Isso revela um retorno à Torá após passarem pelo fogo (Ez 36:24; Ez 37:21-22).
Após o massacre de 7 de outubro, no sul de Israel, quando o grupo terrorista Hamas invadiu a nação, intensificou-se o movimento da Aliá ("subida"), com o retorno de judeus à Terra de Israel. Ao mesmo tempo, iniciou-se um movimento muito forte de retorno e observância da Torá entre os judeus. Aumentou o número de praticantes, e muitos que estavam secularizados iniciaram uma busca pelo Deus de seus pais, aquele que lhes entregou a Torá no Sinai (Dt 30:1-3; Zc 8:7-8).
Tudo isso faz parte da intercessão das nações, da Igreja remanescente que ama Israel (Is 62:6-7; Rm 15:27). Todas as vezes que orarmos por Israel encontraremos dureza. Porém, se insistirmos, assim como Cristo insistiu por nós na cruz, veremos o dedo de fogo de Adonai tocar o coração de Israel (Lc 23:34; Rm 11:25-27).
Esse processo culminará na restauração do Reino de Israel e no retorno do Messias (At 1:6-7; At 3:19-21; Zc 12:10). Hoje, a Palavra ainda está representada pelas tábuas de pedra; porém, chegará o dia em que essas mesmas tábuas estarão na Arca da Aliança, no espírito de toda a nação de Israel, e todos serão cheios do Espírito de Yeshua (Jr 31:33-34; Ez 36:26-27).
O amor, a paciência e a perseverança de quem conheceu o Messias de Israel não permitem desistir do Seu povo (Rm 11:1-2; Rm 11:28-29).
Por isso, o Senhor está convocando você a orar pelos da sua casa, por seus amigos e por sua nação. Mas também está convocando você a perseverar em oração pela casa de Israel (1Tm 2:1-2; Sl 122:6).
Obrigado por semear nesta missão!
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