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O CINZEL E O FOGO

“A paciência de quem persevera na intercessão”


Representação artística de Deus escrevendo os Dez Mandamentos nas tábuas da Lei, símbolo da obra divina no coração do homem.
Representação artística de Deus escrevendo os Dez Mandamentos nas tábuas da Lei, símbolo da obra divina no coração do homem.

Durante muitos anos, a mãe sofria profundamente ao ver o filho envolvido nas drogas. Ela tentava resgatá-lo com as próprias forças, indo atrás dele, discutindo e insistindo para que mudasse de vida, mas nada dava resultado.


Tudo começou a mudar quando uma mulher de Deus lhe deu um conselho simples, porém poderoso: "Descanse no Senhor." A partir daquele momento, ela decidiu entregar a situação nas mãos de Deus, perseverar em oração e confiar que ele faria a obra.


Depois dessa decisão, sua postura mudou. Ela deixou de agir no desespero e passou a enfrentar as situações com paz e confiança em Deus, mesmo diante de momentos muito difíceis. Foi justamente quando ela descansou no Senhor, teve paciência e perseverou em oração que Deus começou a trabalhar no coração do filho. Aos poucos, houve transformação, culminando em sua conversão e no testemunho da obra que Deus realizou em sua vida.


Um intercessor precisa ser alguém revestido de paciência, pois constantemente lida com corações endurecidos (Lc 18:1; Tg 5:7-8).


Moisés é uma tipologia de intercessor longânimo. Deuteronômio 10:1-5 explica bem essa revelação, quando o Senhor ordena a Moisés:


"Naquela ocasião, o Senhor me ordenou: 'Talhe duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras e suba ao monte para encontrar-se comigo. Faça também uma arca de madeira. Eu escreverei nas tábuas as palavras que estavam nas primeiras, que você quebrou, e você as colocará na arca.' Então fiz a arca de madeira de acácia, talhei duas tábuas de pedra semelhantes às primeiras e subi ao monte com as duas tábuas nas mãos. O Senhor escreveu nelas o que tinha escrito anteriormente, os Dez Mandamentos que havia proclamado a vocês no monte, do meio do fogo, no dia em que estavam todos reunidos. O Senhor as entregou a mim, e eu voltei, desci do monte e coloquei as tábuas na arca que eu tinha feito. Lá ficaram, conforme o Senhor tinha ordenado."

Moisés representa o ministério profético que utiliza a ferramenta da intercessão para que corações endurecidos sejam lavrados e preparados para receber os mandamentos, ou seja, a Palavra de Jesus (Ez 36:26-27; Jr 31:33). A paciência do intercessor não o faz desistir diante da resistência do coração dos homens (Gl 6:9).


Moisés chama Israel de povo teimoso por diversas vezes em Deuteronômio, revelando sua natureza (Dt 9:6-7; Dt 9:24). Essa realidade também representa a nossa, pois o homem caído possui um coração endurecido (Ez 3:7; Mc 8:17). Entretanto, o clamor e a oração fazem com que o Espírito Santo convença do pecado, da justiça e do juízo, levando o homem ao quebrantamento, para que o Senhor encontre um coração onde possa habitar (Jo 16:8; Sl 51:17).


Os historiadores afirmam que o local tradicionalmente identificado como o Monte Sinai é composto predominantemente por granito vermelho, uma rocha ígnea extremamente dura e durável, abundante naquela região. Moisés fez um grande esforço para remover os pedaços de pedra que se tornariam as tábuas, representando o coração endurecido de Israel, preso às coisas da terra (Êx 34:1; Ez 11:19).


Quais instrumentos Moisés utilizou para essa façanha? Provavelmente um cinzel de bronze, revelando uma ferramenta simples e rústica. O Senhor poderia ter lhe dado algo tecnologicamente mais avançado para remover aquelas pedras; porém, não foi assim. O trabalho foi manual. Existem obras que o Senhor poderia realizar sozinho, mas escolhe confiar parte desse processo aos seus servos, revelando se permanecerão fiéis e perseverantes na intercessão (1Co 3:9; 2Co 6:1).


Assim como uma pedra não é moldada por um único golpe, um coração endurecido também não é transformado por uma única oração. Por isso, o intercessor precisa perseverar (Lc 18:1-8; Cl 4:2).


A Igreja, representada por Moisés, recebeu o Espírito profético e, por meio da intercessão, participa da preparação dos corações, inclusive do coração de Israel (At 2:17; Rm 10:1). A intercessão não escreve a Palavra no coração, mas prepara o terreno para que Deus realize essa obra (1Co 3:6-7).


O Senhor poderia ter dado a responsabilidade a Moisés de escrever os Dez Mandamentos nas tábuas, mas não fez assim, pois somente a mão de Deus tem poder para escrever no coração do homem (Êx 31:18; 2Co 3:3). O papel de Moisés era preparar a pedra; o de Deus era escrever nela. É o próprio Yeshua, a mão direita, a destra poderosa do Pai, quem escreverá a Torá na alma de Israel (Jr 31:33; Hb 8:10).


O Senhor escreveu os mandamentos com o dedo de fogo, aprofundando-se no lugar resistente e queimando esse lugar (Êx 31:18; Dt 9:10). Por que o fogo? O fogo representa a justiça de Deus e o mandamento recebido por meio da provação (Dt 4:36; Ml 3:2-3). No caso de Israel, essa provação se manifesta nas perseguições e nos ataques (Zc 13:9).


Observe: todas as vezes em que Israel foi perseguido, houve um retorno à Torá. Precisamos entender que, na Torá, está a revelação do Messias, e o processo de reconhecimento de Yeshua como Senhor parte desse lugar (Jo 5:39; Lc 24:27).


A própria história de Israel testemunha esse princípio. Sempre que o fogo da provação se intensifica, cresce também a busca pelo Deus de seus pais e pela Sua Palavra (Os 5:15; Dt 4:29-31).


Após a Segunda Guerra Mundial, marcada pelo assassinato de cerca de seis milhões de judeus no Holocausto, fortaleceu-se o combate ao antissemitismo e o movimento sionista, culminando no reconhecimento do direito do povo judeu à sua terra. As Nações Unidas reconheceram o estabelecimento do Estado de Israel em 1948. Isso revela um retorno à Torá após passarem pelo fogo (Ez 36:24; Ez 37:21-22).


Após o massacre de 7 de outubro, no sul de Israel, quando o grupo terrorista Hamas invadiu a nação, intensificou-se o movimento da Aliá ("subida"), com o retorno de judeus à Terra de Israel. Ao mesmo tempo, iniciou-se um movimento muito forte de retorno e observância da Torá entre os judeus. Aumentou o número de praticantes, e muitos que estavam secularizados iniciaram uma busca pelo Deus de seus pais, aquele que lhes entregou a Torá no Sinai (Dt 30:1-3; Zc 8:7-8).


Tudo isso faz parte da intercessão das nações, da Igreja remanescente que ama Israel (Is 62:6-7; Rm 15:27). Todas as vezes que orarmos por Israel encontraremos dureza. Porém, se insistirmos, assim como Cristo insistiu por nós na cruz, veremos o dedo de fogo de Adonai tocar o coração de Israel (Lc 23:34; Rm 11:25-27).


Esse processo culminará na restauração do Reino de Israel e no retorno do Messias (At 1:6-7; At 3:19-21; Zc 12:10). Hoje, a Palavra ainda está representada pelas tábuas de pedra; porém, chegará o dia em que essas mesmas tábuas estarão na Arca da Aliança, no espírito de toda a nação de Israel, e todos serão cheios do Espírito de Yeshua (Jr 31:33-34; Ez 36:26-27).


O amor, a paciência e a perseverança de quem conheceu o Messias de Israel não permitem desistir do Seu povo (Rm 11:1-2; Rm 11:28-29).


Por isso, o Senhor está convocando você a orar pelos da sua casa, por seus amigos e por sua nação. Mas também está convocando você a perseverar em oração pela casa de Israel (1Tm 2:1-2; Sl 122:6).


Obrigado por semear nesta missão!


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