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ALTAR OU PALANQUE

25 de ago.
7 min de leitura

Atualizado: 26 de ago.

Qual é a chamada da Igreja: Sacerdotal ou Política?    

A imagem representa a Igreja dividida entre sua vocação sacerdotal e a busca pelo poder político.
A imagem representa a Igreja dividida entre sua vocação sacerdotal e a busca pelo poder político.

Qual é o chamado da Igreja: sacerdotal ou político? O apóstolo Pedro responde a essa pergunta em sua primeira carta aos crentes judeus e gentios da diáspora, que viviam no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na província da Ásia e na Bitínia.


“Vocês, porém, são geração eleita, reino de sacerdotes, nação santa, povo que pertence a Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” (1Pe 2:9)


Paulo afirma na Carta aos Romanos que o chamado e a eleição de Israel são irrevogáveis, confirmando o que Deus declarou inúmeras vezes: o sacerdócio de Israel é perpétuo (Rm 11:28-29; Êx 19:5-6). Entretanto, esse sacerdócio não seria exclusivo de Israel; as nações também participariam dessa graça e dessa promessa como remanescentes da fé (Rm 11:17-24; Ef 2:11-13). Mas o que é um remanescente? É aquele que crê e permanece na fé no Deus de Abraão, por meio do nome de Jesus (Rm 4:11-16).


A Igreja participa do sacerdócio de Deus por meio da promessa originalmente feita a Israel. O verdadeiro chamado da Igreja é exercer um sacerdócio universal, que é a ampliação do sacerdócio levítico. Porém assim como o sacerdócio arônico intercedia por si, por sua casa e por toda a congregação, oferecendo sacrifícios em favor do povo (Lv 16:6,15-17; Hb 5:1-3), a Igreja é chamada a interceder pelas vidas. Interceder é entregar-se pelo outro, seguindo o exemplo de Yeshua, para que aqueles que ainda não conhecem a Deus sejam libertos do pecado, reconciliados com o Pai e conduzidos ao Deus de Israel por meio do Messias (Rm 5:10; 2Co 5:18-20; 1Tm 2:5-6). Essa responsabilidade inclui, de maneira especial, orar por aqueles que ocupam posições de autoridade, seguindo a orientação de Paulo ao jovem Timóteo:


“Antes de tudo, peço que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.” (1Tm 2:1-2)


As Escrituras não registram o Senhor nem os apóstolos atribuindo à Igreja um chamado político. A política pertence à esfera civil, envolvendo decisões coletivas, administração do Estado, elaboração de leis e gestão dos recursos públicos. A missão da Igreja, porém, está voltada aos interesses do Reino de Deus (Mt 6:33; Cl 3:1-2). Ela foi chamada para viver e ensinar os dez mandamentos de Deus, dados a Israel no Sinai (Êx 19:1-6; 20:1-17) e reafirmados nossa fé em Yeshua dando continuidade ao seu ministério (Mt 5:17-20; 22:37-40; Jo 13:34).


A intercessão da Igreja prepara os corações para receberem a semente da Palavra, tornando a “terra” fértil para que a mensagem de Jesus produza frutos (Mt 13:3-9,18-23). A vontade de Deus é que todos sejam salvos, inclusive aqueles que exercem autoridade (1Tm 2:3-4), a Igreja deve interceder por eles. Isso, porém, não significa ocupar ou assumir uma função política junto aos governos deste mundo, mas cumprir sua missão espiritual (sacerdotal) de conduzir vidas à verdade e à salvação.


Jesus deixou claro que o Seu Reino não pertence à lógica dos governos deste mundo (Jo 18:36). Os governos humanos, por mais bem-intencionados que sejam seus líderes, permanecem sujeitos à corrupção e às limitações da natureza humana (Jr 17:9; Rm 3:23). O Reino de Deus, ao contrário, é incorruptível e perfeito (1Co 15:50; Ap 21:27). Seu governo não se estabelece pela força das estruturas humanas, mas se manifesta no coração daqueles que se submetem à vontade do Pai (Lc 17:20-21; Rm 14:17).


Após a multiplicação dos pães, a multidão tentou proclamar Jesus como rei de Israel, mas Ele se retirou imediatamente (Jo 6:14-15). Em vez de buscar reconhecimento, poder ou posição, Yeshua afastou-se para orar (Mt 14:23), pois ainda não era seu tempo de governar como Rei de Toda Terra. Seu exemplo revela que quem é guiado pelo Espírito de Deus deve discernir e afastar-se de ambientes dominados pela idolatria, pela vaidade e pela busca de poder humano.


Deus intervém, sim, na estrutura governamental e política, pois inclina o coração dos governantes conforme a Sua vontade (Pv 21:1). É Deus quem estabelece e remove reis (Dn 2:20-21), podendo usar os governantes para abençoar o Seu povo, como fez com Ciro e Artaxerxes (Is 44:28–45:1; Ed 7:11-27).


Como cidadãos sujeitos às autoridades humanas, devemos respeitar e nos submeter ao que não contradiz as Escrituras (Rm 13:1-7; At 5:29). Também devemos exercer nosso direito de votar, lembrando que o voto é secreto. Afinal, os homens podem fazer seus planos, mas é o Senhor quem estabelece a palavra final (Pv 16:1,9).


Mariana Galvão, em Ester: a preservação do povo eleito — ensaios para os tempos do fim, mostra que a Bíblia apresenta personagens como José, Daniel e Ester atuando em estruturas de governo. Contudo, todos eles estavam inseridos em contextos de exílio ou dispersão, servindo em governos estrangeiros e, muitas vezes, sob sistemas políticos que não haviam escolhido (Gn 41:39-41; Dn 2:46-49; Et 2:17-18). Por isso, utilizar José, Daniel e Ester como justificativa para transformar a autoridade da Igreja em instrumento de campanha política ou militância é desconsiderar uma diferença fundamental entre ser compulsoriamente inserido em uma estrutura de poder e buscar politicamente o poder.


Aqueles homens e mulheres não foram candidatos. Não organizaram campanhas eleitorais. Não utilizaram uma comunidade religiosa para conquistar votos. Eles foram levados para contextos de governo e, nesses contextos impostos, procuraram permanecer fiéis a Deus.


Assim, os exemplos bíblicos de José, Daniel e Ester não estabelecem um precedente para a politização da autoridade sacerdotal. Pelo contrário, mostram que a fidelidade a Deus pode ser preservada mesmo quando o povo de Deus se encontra submetido a poderes políticos que não escolheu.


É justamente nesse aspecto que a Igreja tem se afastado das diretrizes da Palavra. Ao se indignar com as injustiças e com a corrupção das autoridades políticas, ela tem tentado invadir a esfera do poder político a fim de mudá-lo, abrindo mão da sua própria esfera de poder (sacerdotal). O resultado é uma inversão de papéis: uma Igreja esvaziada de poder espiritual e sacerdotal tentando corrigir ou consertar, com as próprias mãos, uma estrutura de poder político e terreno, utilizando armas carnais, quando a própria Escritura declara que “as armas da nossa milícia não são carnais” (2Co 10:4).


A autoridade da Igreja não é política, mas sacerdotal, insistimos! Sua missão não é conquistar governos, mas testemunhar do Reino de Deus. A Igreja influencia a sociedade quando permanece fiel à verdade, à justiça, à misericórdia e ao Evangelho (Mt 5:13-16; Mq 6:8).


O líder espiritual pode ensinar princípios bíblicos que orientem os cristãos na reflexão sobre a vida pública (2Tm 3:16-17), mas, sobretudo, deve conduzir o povo ao arrependimento. A ferramenta fundamental da Igreja não é a militância política, mas o ARREPENDIMENTO PESSOAL. É nesse sentido que a Escritura declara:

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2Cr 7:14).


Nenhum pastor, padre, bispo ou líder religioso deve confundir autoridade espiritual com o poder de determinar o voto dos fiéis. Cada pessoa prestará contas individualmente diante de Deus (Rm 14:10-12). O líder deve exercer sua autoridade espiritual não como quem domina sobre a consciência dos fiéis, mas como exemplo do rebanho (1Pe 5:2-3).


Jesus advertiu Seus discípulos sobre o de Herodes (Mt 16:6; Mc 8:15). Por isso, disse:


“Prestem atenção! — advertiu Jesus. — Tenham cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes.” (Mc 8:15)


Herodes era judeu e conhecia a Torá, mas não vivia segundo seus mandamentos. Aliado ao Império Romano, representava uma liderança comprometida com o poder político de Roma (Mc 6:17-20; Lc 13:31-32). Nesse contexto, o fermento de Herodes apontava para a aliança entre o poder político romano e setores da liderança religiosa de Israel.


O Sinédrio, liderado pelos sacerdotes Anás e Caifás, estava inserido nesse ambiente político, justamente no tipo de influência que Jesus não deseja que Sua Igreja reproduza (Jo 11:47-53; 18:13-14,28-32). Para preservar suas posições e seu poder, determinadas lideranças religiosas se submetiam a Roma e utilizavam sua autoridade para manipular o povo de Israel. Isso nos leva a perguntar: isso te lembra alguma coisa hoje?


Esse foi um dos grandes confrontos de Jesus durante Seu ministério: uma liderança religiosa que, em vez de permanecer fiel à sua missão, envolvia-se com os poderes deste mundo e com as práticas das nações (Mt 23:1-7,13-28). O fermento de Herodes, portanto, representa o perigo de misturar autoridade espiritual com poder político, permitindo que a Igreja seja conduzida pelos interesses e mecanismos dos governos deste mundo.


Você sabe o que acontece com a Igreja quando ela deixa seu chamado sacerdotal e intercessório para se envolver com a política? Ela corre o risco de se tornar uma instituição de poder, como ocorreu com a Igreja Católica Romana, que assumiu também uma estrutura política e estatal, com o papa exercendo autoridade religiosa e sendo chefe de Estado do Vaticano.


Será que essa estrutura, unindo poder econômico, religioso e político, não pode ser vista como um arquétipo do Anticristo? Essa é uma reflexão apresentada à luz de Apocalipse 13:1-8,11-18 e 17:1-18. Quando a Igreja começou a se envolver com Roma, sua relação com o poder político transformou profundamente sua estrutura. Diante disso, fica a pergunta: é isso que queremos ou, melhor, é isso que Deus quer para Sua Igreja?



Quando deixamos de usar as ferramentas do Reino de Deus confiadas ao nosso sacerdócio espiritual, o fogo da presença deixa de se manifestar, e corremos o risco de nos tornar apenas uma estrutura de governo humano, sem o poder do Espírito Santo (2Tm 3:5). Em vez de anunciar a mensagem de Deus, passamos a anunciar uma mensagem política; assim, aqueles que deveriam ouvir uma palavra de salvação, libertação e cura acabam ouvindo apenas a voz de um sistema humano (At 4:12; Rm 1:16).


Voltemos ao nosso chamado: interceder por todos aqueles que ainda não conhecem o Deus Todo-Poderoso (1Tm 2:1-4). Proclamemos Yeshua e oremos por aqueles que estão em posição de autoridade, para que a verdade do Evangelho alcance seus corações (Mt 28:19-20; 1Tm 2:1-2). Assim poderemos viver em paz, pois a verdadeira paz começa quando o homem conhece verdadeiramente o nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 14:27; Rm 5:1) E SE ARREPENDE.


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