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TABERNÁCULOS: A ÚLTIMA FESTA DO SENHOR

há 7 minutos
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Yeshua visto de costas, sentado em um grande trono de mármore, em sua posição como Rei, durante a Festa de Sucot, enquanto Israel e as nações se reúnem diante dele para ouvi-lo.
Yeshua visto de costas, sentado em um grande trono de mármore, em sua posição como Rei, durante a Festa de Sucot, enquanto Israel e as nações se reúnem diante dele para ouvi-lo.

Sucot, ou Tabernáculos, é a última das sete festas do Senhor estabelecidas no calendário bíblico. Ela encerra o ciclo das festas solenes e está relacionada aos sábados do Senhor e aos estatutos perpétuos (Lv 23:1-2, 37-38). Cada uma dessas festas carrega uma dimensão própria da revelação do propósito de Deus e aponta para a obra de Yeshua. Ele declarou: “Eu sou o Alfa e o Ômega”, o princípio e o fim (Ap 1:8).


Por isso, compreender Sucot exige olhar para o caminho percorrido desde a primeira festa até a última. As festas do Senhor não aparecem nas Escrituras como celebrações isoladas, mas formam um ciclo estabelecido por Deus. Esse ciclo começa com Pessach, a Páscoa, e segue pelas demais festas até chegar a Sucot, a Festa dos Tabernáculos (Lv 23:4-8, 9-14, 15-22, 23-25, 26-32, 33-36).


As sete festas podem ser compreendidas em dois grandes períodos do calendário bíblico. As quatro primeiras acontecem na primavera: Pessach (Páscoa), Matzot (Pães Asmos), Bikurim (Primícias) e Shavuot (Pentecostes). Depois, no sétimo mês, estão as três festas de outono: Yom Teruá (Festa das Trombetas), Yom Kippur (Dia da Expiação ou Dia do Perdão) e Sucot (Festa dos Tabernáculos). Assim, o ciclo das festas começa na primavera e termina no outono, chegando à última festa, Sucot.


Pessach apresenta o Cordeiro e a redenção. A Páscoa foi estabelecida no contexto da saída de Israel do Egito, quando o sangue do cordeiro estava relacionado à preservação dos primogênitos e à libertação do povo da escravidão (Êx 12:1-14). Pessach abre o caminho da passagem da escravidão para a liberdade.


Yeshua é apresentado como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1:29). Paulo também relaciona diretamente o Messias ao Pessach ao declarar que “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1Co 5:7).


Yeshua é, portanto, o princípio do caminho da redenção. Mas Ele também é o fim. Ele é o Alef e o Tav, o princípio e o fim, aquele que estava no começo e que conduz todas as coisas à sua consumação (Ap 22:13).


Sucot vem da palavra hebraica suká, que significa cabana ou tenda. O significado da festa nos conduz novamente ao tema da habitação. Deus tirou Israel do Egito e fez o povo habitar em tendas, para que as gerações se lembrassem de que foi o próprio Senhor quem os sustentou durante o deserto (Lv 23:42-43).


Em Yeshua, esse tema alcança uma dimensão ainda mais profunda. Ele é aquele que habita em nós, e nós habitamos nele. Ele é o nosso abrigo no deserto, nosso refúgio e nossa fortaleza (Jo 15:4; Sl 91:1-2).


Aquele que iniciou a redenção no Pessach é também aquele que conduzirá a história à sua consumação. O Alef e o Tav. O princípio e o fim.


O Senhor determinou que Sucot começasse no décimo quinto dia do sétimo mês e fosse celebrada durante sete dias. O primeiro e o oitavo dia seriam dias de santa convocação (Lv 23:34-36).


A festa estava diretamente relacionada à memória do deserto. Israel deveria habitar em cabanas para que as gerações soubessem que o Senhor fez os filhos de Israel habitar em tendas quando os tirou da terra do Egito (Lv 23:43).


A cabana, portanto, não era apenas uma estrutura física. Ela carregava uma mensagem. Israel deveria se lembrar de que sua segurança não estava nas estruturas permanentes, mas no Deus que o sustentou durante o deserto.


Por isso, Sucot é uma festa de memória, dependência, alegria e habitação. O próprio calendário bíblico apresenta esse período como um tempo de celebração diante do Senhor, e Deuteronômio associa a festa à alegria de Israel diante de Deus (Dt 16:13-15).


Sucot também está relacionada à colheita. A festa acontecia no período em que os frutos da terra eram recolhidos, e Israel deveria celebrar a abundância daquilo que Deus havia produzido. Por isso, Sucot também é chamada de Festa da Colheita, ou Festa da Recolha (Êx 23:16).


Essa característica agrícola abre uma dimensão profética. Se as festas apresentam uma sequência e Sucot encerra o ciclo, sua relação com a colheita nos conduz a pensar também na consumação da colheita.


Yeshua ensinou diversas vezes utilizando a linguagem da semeadura e da colheita. Em uma de suas parábolas, Ele relacionou a colheita ao fim dos tempos e apresentou a separação entre o trigo e o joio como uma imagem da consumação (Mt 13:24-30, 36-43).


A colheita, nas Escrituras, não é apenas uma imagem agrícola. Ela também pode representar o ajuntamento de pessoas diante de Deus. Por isso, dentro desta compreensão profética, Sucot carrega uma dimensão relacionada à última colheita de vidas.


A última colheita de vidas não pode ser compreendida separadamente da relação entre Israel e as nações. Paulo desenvolve esse assunto especialmente em sua argumentação sobre Israel e os gentios (Rm 9–11).


Israel não foi esquecido por Deus. Paulo apresenta a aceitação de Israel como algo relacionado a uma manifestação ainda maior do propósito de Deus, chegando a utilizar a expressão “vida dentre os mortos” (Rm 11:15).


A linguagem das primícias também é importante. Paulo afirma que, se a parte da massa oferecida como primeiros frutos é santa, toda a massa também o é; e, se a raiz é santa, os ramos também o são (Rm 11:16).


As primícias não representam a totalidade da colheita, mas aquilo que é apresentado primeiro e que está relacionado ao restante. Por isso, dentro desta leitura profética, Israel ocupa um lugar fundamental na compreensão da colheita final.


A história não termina com as nações. Ela também contempla a restauração de Israel.

Paulo também fala de um mistério relacionado a Israel: veio endurecimento em parte a Israel “até que haja entrado a plenitude dos gentios” (Rm 11:25).


A expressão “plenitude dos gentios” aponta para a existência de um propósito de Deus envolvendo as nações. O evangelho alcança os gentios, mas a inclusão das nações não significa o abandono de Israel.


Pelo contrário, Paulo adverte os gentios a não se ensoberbecerem e lembra que eles foram enxertados na oliveira, passando a participar da raiz e da seiva (Rm 11:17-21).


Assim, a salvação das nações não elimina Israel do plano de Deus. A história caminha para uma manifestação da graça de Deus tanto às nações quanto a Israel.


A restauração de Israel ocupa um lugar importante nas palavras dos profetas. O propósito de Deus não termina na dispersão, nem na rejeição. As Escrituras apresentam promessas de restauração e de retorno do povo à sua terra (Ez 36:24-28; 37:21-28).


Essa restauração encontra seu centro no Messias. Por isso, não existe uma compreensão completa da consumação sem considerar a relação entre Yeshua, Israel e as nações. É nesse contexto que a última colheita ganha profundidade.


A Igreja não substitui Israel. Paulo utiliza a imagem da oliveira para mostrar a relação entre os ramos naturais e os gentios que foram enxertados (Rm 11:17-24). As nações passam a participar da riqueza da raiz, mas isso não significa que Deus tenha abandonado os ramos naturais. Pelo contrário, Paulo afirma que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (Rm 11:28-29).


Na primeira vinda, Yeshua entrou em Jerusalém montado em um jumentinho, cumprindo a palavra profética de Zacarias sobre a chegada do Rei humilde (Zc 9:9). A multidão o recebeu clamando: “Hosana ao Filho de Davi!”, reconhecendo nele aquele que vinha em nome do Senhor (Mt 21:6-9). Em sua origem hebraica, Hosana vem da expressão הוֹשִׁיעָה נָּא — Hôshiah-ná, que significa “Salva, por favor!” ou “Salva-nos, por favor!”.


O Rei entrou na cidade de maneira humilde. Mas a segunda vinda apresentará uma manifestação diferente. Yeshua virá dos céus acompanhado de seus santos (Igreja), e o livro de Apocalipse apresenta o Messias vindo sobre um cavalo branco, em uma manifestação de justiça e juízo (Ap 19:11-16).


Aquele que veio em humildade voltará em glória. Sua vinda estará relacionada ao juízo das nações e à intervenção de Deus em favor de Jerusalém, conforme o cenário profético apresentado por Zacarias (Zc 14:1-5). O profeta Zacarias apresenta uma das conexões mais importantes entre a segunda vinda e Sucot.


Zacarias 14 descreve um cenário em que as nações se levantam contra Jerusalém. O Senhor então intervém, e seus pés estarão sobre o Monte das Oliveiras, diante de Jerusalém, a leste (Zc 14:4). O texto prossegue apresentando acontecimentos relacionados à manifestação do Senhor e ao estabelecimento de seu governo. É justamente nesse capítulo que aparece uma referência explícita à Festa dos Tabernáculos.


Depois do juízo, as nações que sobreviverem deverão subir de ano em ano para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos (Zc 14:16). Essa conexão é fundamental.


Sucot não aparece apenas como uma festa pertencente ao passado de Israel. O profeta Zacarias apresenta a festa também dentro de um cenário futuro, relacionado ao reinado do Senhor em Jerusalém e à participação das nações.


Depois da manifestação de Yeshua e do juízo das nações, será estabelecido o Reino Messiânico. Yeshua reinará, e Jerusalém ocupará um lugar central no Reino de Deus. As Escrituras apresentam o Messias reinando sobre as nações e Jerusalém como centro do ensino e da adoração (Is 2:2-4).


O cenário descrito por Zacarias é profundamente significativo: as nações não estarão simplesmente olhando para Israel de longe. Elas subirão a Jerusalém. Elas adorarão o Rei. Elas participarão da celebração. E Sucot estará presente.


A última festa do calendário bíblico aparece, portanto, relacionada ao período em que o Rei estará reinando e as nações reconhecerão seu governo (Zc 14:16-19). Existe ainda um detalhe que não pode ser ignorado.


Sucot possui sete dias, mas depois deles vem o oitavo dia. Levítico apresenta esse oitavo dia como uma assembleia solene, distinta dos sete dias anteriores (Lv 23:36, 39). O oitavo dia merece atenção porque aparece depois da conclusão dos sete dias da festa. Os sete dias encerram o ciclo estabelecido para Sucot, mas o oitavo dia apresenta uma convocação que vem depois dessa conclusão.


Por isso, dentro de uma leitura profética, o oitavo dia pode ser contemplado como uma figura que aponta para além do ciclo. A festa termina, mas a história não termina. Existe algo além da conclusão.


Existe uma realidade que ultrapassa o ciclo. Há uma conexão ainda mais profunda entre a entrada de Yeshua em Jerusalém e sua futura manifestação. Na primeira vinda, Ele entrou na cidade e foi recebido pelo clamor da multidão. Entretanto, ao falar de sua futura manifestação, o próprio Yeshua declarou que Jerusalém não o veria novamente até que dissesse: “Bendito é o que vem em nome do Senhor!” (Mt 23:39).


Essa declaração aponta para um momento futuro de reconhecimento. O Messias que veio em humildade será reconhecido em sua manifestação plena. Paulo também afirma que a salvação de Israel está relacionada ao cumprimento da promessa de Deus e declara que “todo o Israel será salvo”, relacionando essa realidade à ação do Redentor (Rm 11:26-27).


Sucot encerra o ciclo das festas porque aponta para uma conclusão.


Yeshua é o Alef e o Tav. O princípio e o fim. Aquele que veio. E aquele que há de vir.

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