UMA GRANDE FAMÍLIA: ISRAEL E AS NAÇÕES À MESA DO PAI
- Douglas Galvao
- há 1 dia
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Por que Jesus nasceu em Israel? Esta semana, eu me peguei pensando: por que Deus Pai fez com que Jesus nascesse em uma nação, entre os filhos de Jacó? Além disso, por que o Messias (Cristo) nasceu do ventre de uma jovem virgem judia, da tribo de Judá? Deus poderia muito bem ter feito com Yeshua o que fez com Adão: criar um corpo do barro, soprar nele o fôlego de vida e iniciar Sua vida na terra.
Em vez disso, o Pai enviou Seu Filho para nascer entre os filhos de Jacó (Gl 4:4-5; Mt 1:1-16; Lc 2:1-7).
Deus é um Deus de família. Ele ama tanto a família que, propositalmente, fez com que Yeshua nascesse dos filhos de Israel, honrando, assim, Sua aliança com o pai Abraão (Gn 12:1-3; Gn 17:7-8; Lc 1:54-55). Entretanto, Seu propósito era ainda maior. Deus escolheu agir por meio de uma família porque Seu desejo sempre foi formar uma família espiritual (Ef 3:14-15). A encarnação de Cristo dentro da linhagem de Abraão revela que a redenção não se resume apenas ao perdão dos pecados; ela é também um convite para que homens e mulheres sejam recebidos novamente na casa do Pai (Jo 1:12; Ef 2:19).
É justamente por isso que a grande missão de Jesus é reconciliar o homem com o Pai, para que todo aquele que crê em Seu nome seja chamado filho de Deus (2 Co 5:18-19; Jo 1:12). Jesus veio restaurar a comunhão entre o homem e o Pai, pois todos pecaram e foram afastados da glória de Deus (Rm 3:23; Is 59:2).
Contudo, restaurar ou consertar uma família exige sacrifício. Todos nós sabemos que unir uma família não é fácil, e certamente Jesus sabia disso. Por isso, Ele morreu na cruz, porque a única forma de unir pessoas é por meio do sacrifício: diminuindo-se, humilhando-se e abrindo mão das próprias convicções, acusações e opiniões. Jesus poderia ter nos acusado por nossos pecados, pois é o único Justo que pisou nesta terra, mas não fez assim. Ele nos amou, entregando-Se à morte de cruz (Fp 2:5-8; Rm 5:8).
Foi esse sacrifício que derrubou os muros que nos separavam da comunidade de Israel. Não éramos sequer chamados de povo, mas agora somos chamados família de Deus, filhos de Deus. Como já sabemos, o amor do Pai é tão grande que Ele nos adotou (Ef 2:11-19; Gl 4:4-7; Rm 8:15-17).
Assim como a adoção exige amor sacrificial, paciência e disposição para acolher alguém como filho, Deus fez exatamente isso conosco. Adotar uma criança não é fácil, pois envolve inúmeras demandas emocionais, espirituais e comportamentais. Porém, o amor supera todas essas dificuldades. Da mesma forma, o amor do Pai superou a distância causada pelo pecado e nos recebeu em Sua família (Ef 1:5; 1 Jo 3:1).
Se fomos recebidos dessa maneira pelo Pai, isso também transforma a maneira como devemos olhar para os outros. É com esse olhar que Ele nos chama a olhar para Israel, especialmente para aqueles que ainda estão cegos à revelação de Yeshua: com olhos de amor, pois somente assim conseguiremos nos aproximar genuinamente do povo judeu (Rm 11:28-31).
Esse é exatamente o amor descrito pelo benjamita Paulo: "O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura os seus próprios interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1 Co 13:4-7).
Esse mesmo apóstolo também afirma que houve um endurecimento parcial de Israel até que chegasse a plenitude dos gentios (Rm 11:25). À luz disso, creio que esse período também representa uma oportunidade para que as nações, a Igreja, demonstrem amor, gratidão e serviço para com Israel, assim como muitos judeus serviram às nações ao propagarem o Evangelho da salvação, a exemplo dos apóstolos (Rm 15:25-27; At 13:46-48).
Afinal, esse nunca foi o propósito final de Deus. O fim da história não é a separação entre Israel e as nações, mas uma única família redimida, assentada à mesa do Pai, unida pelo amor de Yeshua. É esse amor que nos torna um, assim como Jesus orou: "Minha oração é que todos eles sejam um, como nós somos um; como Tu estás em mim, Pai, e eu estou em Ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste." (Jo 17:21; Ef 2:14-22).
Essa oração revela o propósito que Deus estabeleceu desde o princípio. O Pai escolheu uma família chamada Israel para que a revelação do Seu amor alcançasse o mundo por meio dela, culminando na pessoa de Jesus, o Messias de Israel, que veio reconciliar ao Pai os órfãos dentre as nações (Gn 12:3; Is 49:6; Jo 4:22). Ao receberem as boas-novas de Cristo, as nações são adotadas na família de Deus e passam a participar da mesma esperança da redenção (Ef 2:19; Rm 8:15-17).
Por sua vez, aqueles que foram alcançados por esse amor são chamados a testemunhar, com amor e humildade, as boas-novas do Messias de Israel ao povo judeu, para que seus olhos também se abram à revelação de Yeshua (Rm 1:16; Rm 11:11-15; Tg 2:13). Assim, em Cristo, judeus e gentios tornam-se uma só família para a glória do Seu nome (Ef 2:14-22; Gl 3:26-29).
Que esse seja também o nosso clamor: que o Pai reúna, cada vez mais, Seus filhos à mesma mesa, até o dia em que veremos plenamente cumprido o Seu propósito eterno de fazer, em Cristo, uma única família para a glória do Seu nome (Ap 7:9-10; Ap 19:6-9).
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