O IMPACTO DA COMPARAÇÃO
- Douglas Galvao
- há 1 dia
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“Quando a comparação nos faz rejeitar a identidade e o governo de Deus”

É indiscutível o dom e o talento divino que o Rei do Pop, Michael Jackson, possuía para a música. Embora sua carreira tenha sido marcada pela produção de músicas seculares, seu nível musical era tão elevado que, mesmo com o passar dos anos, suas canções continuam soando modernas e influenciando gerações. Apesar do indiscutível dom que esse grande músico possuia, havia uma luta pessoal e silenciosa por detrás do sucesso.
Como toda a humanidade após a queda, Michael enfrentava uma luta interna, a comparação, uma inclinação que leva o homem a buscar sua identidade não em Deus, mas na maneira como percebe a si mesmo em relação aos outros. Somado ao abuso psicológico sofrido na adolescência, quando era constantemente ridicularizado por sua aparência, desenvolveu uma visão distorcida de si mesmo e do próprio corpo. Essa insatisfação tornou-se um dos principais motivos para as inúmeras cirurgias faciais que transformaram sua aparência ao longo dos anos.
Essa mesma inclinação à comparação se manifesta de forma contínua ao longo da história da humanidade desde a queda do homem. Ela leva muitos a rejeitarem a forma como Deus os criou e a buscarem, de maneira incessante, padrões que jamais serão capazes de satisfazer o vazio da alma.
De forma semelhante, a comparação sempre foi um grande problema em Israel até os dias de hoje, e isso não se distingue de grande parte do corpo da Igreja. Esse é um ponto cego ao qual precisamos estar atentos e vigilantes, em constante oração e arrependimento.
Um dos exemplos mais claros dessa dinâmica em Israel ocorre na transição do período dos juízes para o estabelecimento da monarquia. Samuel, o último juiz de Israel, já se encontrava em idade avançada. Seus filhos, Joel e Abias, que haviam sido designados para auxiliá-lo no governo, não seguiram os caminhos de seu pai, mas se desviaram da Torá, praticando a injustiça e a corrupção. Por causa de sua impiedade, eles não estavam aptos para sucedê-lo na liderança da nação.
Diante dessa situação e da idade avançada de Samuel, os anciãos de Israel se reuniram e lhe pediram que estabelecesse um rei para governá-los, assim como acontecia com as demais nações. Embora Samuel os tenha advertido sobre as consequências dessa escolha, o povo insistiu em seu pedido.
Vejamos:
“Naquele dia, clamarão por causa do rei que vocês mesmos escolheram, mas o Senhor não os ouvirá.” Contudo, o povo recusou-se a ouvir Samuel e disse: “Não! Queremos ter um rei sobre nós. Seremos como todas as outras nações; o nosso rei nos governará e sairá à nossa frente para combater as nossas batalhas.” (1 Sm 8:18–20)
Com isso, Saul foi escolhido e ungido como o primeiro rei de Israel. Seu início foi majestoso, porém seu final foi trágico, quando terminou seus dias em grande decadência espiritual.
A escolha de Saul revela exatamente essa questão: a comparação pode ser considerada uma face da rebeldia, pois ela se levanta contra o governo de Deus. A vontade do Senhor sempre foi governar Israel, mas o povo desejou um rei que fosse à sua frente e lutasse as suas guerras, como acontecia entre as demais nações.
A comparação produz um engano espiritual que impede o homem de compreender quem ele é em Deus e a autoridade que lhe foi confiada. Como consequência, passa a desejar os recursos e os modelos deste mundo para suprir necessidades e vazios que somente Deus pode preencher.
No caso de Israel, a corrupção dos filhos de Samuel e a incerteza quanto à continuidade da liderança serviram como justificativa para que o povo voltasse seus olhos para as nações ao redor, em vez de confiar no governo do Senhor. O desejo por um rei não nasceu apenas da necessidade de liderança, mas da comparação com os outros povos. Até hoje esse continua sendo um problema latente na nação de Israel.
Em alguns aspectos da vida pública, é possível observar uma busca de setores da sociedade israelense por maior alinhamento com padrões culturais presentes em democracias ocidentais. Exemplos frequentemente citados são a realização da marcha LGBTQIA+ em Tel Aviv, a maior do mundo, e os debates em torno da legislação sobre o aborto, que é permitido em determinadas circunstâncias previstas em lei. Esses fenômenos revelam que Israel também enfrenta a tensão entre preservar sua identidade bíblica e assimilar valores presentes em outras nações.
Israel é, nesse sentido, um espelho de realidades também presentes no corpo da Igreja. Onde vemos escândalos e mais escândalos, como imoralidade sexual crescendo no meio de lideranças evangélicas, lavagem de dinheiro, e uma cultura mundana cada vez mais presente nas igrejas, com cultos transformados em espetáculo.
A Igreja, assim como Israel, enfrenta o mesmo problema: a tendência de desejar que um rei (político) vá à frente de suas guerras. Essa comparação com o mundo e a prática das nações revela uma falta de visão centrada em Jesus. No momento em que se crê que o governo humano pode mudar uma nação, perde-se a confiança no poder de Jesus e do seu Reino.
“Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus.” (Hb 12:2)
Quando deixamos de olhar para o Senhor, saímos do governo de Deus. Contudo, chegará o dia em que os olhos de Israel se abrirão ao contemplar aquele que foi traspassado (Zc 12:10), e eles se prostrarão diante do seu Messias Yeshua. Nesse dia, toda comparação cessará, e Deus governará plenamente, indo à frente das guerras como no princípio.
Da mesma forma, quando a Igreja fixa seus olhos em Jesus, o problema da comparação será encerrado, e a total cultura do mundo será removida do nosso meio. A cura para o vazio do homem não está na assimilação cultural secular, na aspiração por poder e na militância políticas, mas na revelação do Filho de Deus e Salvador das nossas almas, Jesus. A visão do Filho revela quem somos: a imagem e semelhança do Deus Criador dos céus e da terra.
Que possamos permanecer nas muralhas como vigias, intercedendo por nós, por Israel e pela Igreja, para que toda e qualquer comparação seja removida. Essa intercessão é feita proclamando quem é o Rei dos reis, Senhor dos Senhores e Rei de Israel, Jesus.
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