A VERDADE QUE A IGREJA ESQUECEU
- Douglas Galvao
- há 2 dias
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A missão dos ramos enxertados

Por que e para que a Igreja existe? Essa pergunta só pode ser respondida quando descobrimos qual é o propósito da existência do povo de Israel.
Os apóstolos judeus Pedro e João, depois de curarem o coxo na Porta Formosa, pregaram aos judeus, seus irmãos de pátria, que ali estavam e ficaram atônitos diante de tão grande milagre. Então Pedro declarou:
"De fato, todos os profetas, de Samuel em diante, um por um, falaram e predisseram estes dias. Vocês são herdeiros dos profetas e da aliança que Deus fez com os seus antepassados. Deus disse a Abraão: 'Por meio da sua descendência todos os povos da terra serão abençoados.'" (At 3:24-26)
A partir dessa declaração de Pedro, fica claro que Israel existe para abençoar as nações por meio da promessa dada aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó (Gn 12:1-3; 22:18).
Esse propósito pode ser percebido ao longo de toda a história bíblica. Creio que um excelente exemplo disso ocorre quando Israel, ao final da peregrinação pelo deserto, passou pelos territórios dos amorreus, amonitas, moabitas e edomitas.
Em relação a alguns desses povos, como Edom, o Senhor ordenou que Israel não tomasse suas terras, pois Deus as havia dado por herança a Esaú. O Senhor também determinou que Israel pagasse pelo alimento e pela água que consumisse, demonstrando respeito pela herança concedida ao povo edomita. Entretanto, a nação de Edom saiu ao encontro de Israel com a espada, rejeitando recebê-lo em paz (Dt 2:1-8).
Esse episódio demonstra que o propósito do Senhor era abençoar também essas nações por meio dos descendentes de Abraão, portadores da promessa da bênção. No entanto, esses povos rejeitaram Israel, recusaram-se a servi-lo com pão e água e levantaram-se contra o povo da aliança.
Onde estão essas nações hoje? Seus antigos reinos desapareceram da história, cumprindo-se a palavra que Deus disse a Abraão: "Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem." (Gn 12:3)
A promessa feita a Abraão explica por que o patriarca ocupa um lugar central na história da redenção. Entre os patriarcas, Abraão creu na promessa de Deus, e essa fé lhe foi imputada como justiça (Gn 15:6; Rm 4:1-8).
Seus pecados foram perdoados antes mesmo de haver um Cristo em um corpo físico, pois o próprio Deus apareceu a Abraão e declarou que, por meio dele e de sua descendência, todas as nações seriam abençoadas (Gn 18:1-18).
À luz dessa promessa, o povo judeu tem como principal objetivo abençoar as nações com as boas-novas da salvação. Esse propósito alcança sua plenitude com a vinda de Yeshua, Deus encarnado em um corpo judeu, da tribo de Judá (Jo 1:14; Mt 1:1-3; Hb 2:14).
Mas como a Igreja se insere nesse propósito? A Igreja é formada pelos ramos enxertados em Israel, isto é, por aqueles que creram na promessa feita aos patriarcas por meio de Jesus. É o remanescente da fé espalhado entre as nações, mas unido a Israel e às suas promessas por meio do sangue do Messias, Yeshua (Rm 11:17-24; Ef 2:11-22).
Por estar unida a essa mesma promessa, a Igreja dá continuidade à propagação dessas boas-novas: anuncia o Deus dos patriarcas, o Deus de Israel revelado em Jesus, proclamando a salvação e a vida eterna por meio do seu nome.
Assim, a Igreja existe para abençoar Israel e as nações, promovendo a convergência de todos os povos e de toda a criação ao Filho de Abraão, Yeshua (Mt 28:18-20; Ef 1:9-10).
Mas o que significa, na prática, abençoar? Em seu significado mais simples, abençoar é conceder autoridade para prosperar. Logo, não há verdadeiro crescimento sem Deus.
Quando abençoamos alguém, estamos colocando essa pessoa debaixo das mãos do Criador. Por essa razão, toda movimentação territorial, seja de uma cidade para outra, de um bairro para outro ou em viagens missionárias, possui um único propósito: apresentar o Deus de Israel, aquele que tem poder para nos salvar da maldade do pecado.
Voltando ao relato de Atos, vemos judeus pregando para judeus. Os apóstolos representam a Igreja de Cristo, que mais tarde passaria a ser composta, em sua maioria, por não judeus (gentios). Isso significa que a Igreja também foi chamada para abençoar Israel (At 3:24-26; Rm 1:16).
Por essa razão, a Igreja aguarda, em santidade, o retorno de Cristo, propagando o Evangelho da salvação, clamando em intercessão e indo até Israel em amor. Essa missão inclui clamar para que seja removido o endurecimento que veio em parte sobre esse povo, conforme o propósito soberano do Pai (Rm 11:25-27).
Assim como Israel abençoou as nações por meio de Yeshua, abrindo os nossos olhos e nos resgatando do mundo da feitiçaria, da idolatria e das trevas, o Senhor agora chama a Igreja a responder em amor. Essa resposta consiste em sermos intercessores que clamam ao Pai para que a visão de Israel seja plenamente restaurada e para que o povo da aliança reconheça o seu Messias (Zc 12:10; Rm 11:11-15).
O ensino do apóstolo Paulo reforça essa compreensão. Depois de Yeshua, o apóstolo Paulo é, provavelmente, o judeu mais conhecido do mundo. Ele declarou que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação, primeiro do judeu e depois do grego (gentio).
O que entendemos com essa declaração? Que existe um olhar cuidadoso de Deus para aqueles por meio dos quais fomos abençoados , Israel (Rm 1:16).
À luz desse ensino, todas as vezes que pregamos aos não judeus, deveríamos também nos perguntar: o que posso fazer para abençoar Israel?
Essa atitude não é uma dívida, mas uma expressão de gratidão. Existe em Israel uma Igreja composta por judeus que reconhecem Yeshua como o Messias. Entretanto, grande parte da nação ainda não o conhece.
Diante dessa realidade, pergunto mais uma vez: o que podemos fazer hoje para abençoar Israel? (Rm 15:27) Em conclusão, Israel e a Igreja não competem entre si; cooperam no mesmo plano eterno de Deus.
Em outras palavras, Israel trouxe o Messias ao mundo, e a Igreja anuncia esse Messias entre as nações, enquanto intercede para que Israel também contemple a plenitude da promessa que primeiro lhe foi confiada (Rm 11:28-32; Ef 3:6).
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