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DA PÉRSIA A ISRAEL: COMO UM ALIADO SE TORNA INIMIGO

“Arrancando o Antissemismo pela Raiz”


Arco monumental de estilo persa ilustrando a trajetória histórica da Pérsia ao Irã e sua relação com Israel.
Arco monumental de estilo persa ilustrando a trajetória histórica da Pérsia ao Irã e sua relação com Israel.

O antissemitismo, além de ser o preconceito e a discriminação contra o povo judeu, os filhos de Israel, é também um ataque direto ao Nome de Deus. O termo "semita" está relacionado à descendência de Sem, o filho de Noé, cujo significado original do seu nome está associado à ideia de nome, renome e fama (Gn 9:18,19).


Foi por meio da linhagem de Sem que o conhecimento de Deus foi preservado e a promessa da salvação foi transmitida às gerações. Dessa descendência vieram homens como Héber, Naor, Abraão, Isaque, o filho da promessa, e Jacó, que recebeu o nome de Israel (Gn 11:10-32). De Israel surgiram as doze tribos, e dessa mesma linhagem nasceu o Salvador, Jesus Cristo da tribo de Judá (Mt 1:1-17).


Dessa forma, o antissemitismo não é apenas uma ofensa contra um povo, mas também uma oposição ao propósito de Deus revelado na história da redenção. Trata-se de um mal, um pecado que cresce no coração humano como uma pequena semente. Se não for arrancado logo no início, pode se desenvolver e produzir frutos destrutivos, levando ao ódio, à violência, às perseguições, às guerras, ao terrorismo e até mesmo à morte. Um exemplo disso foi o povo persa, hoje conhecido como iraniano. A nação do Irã é considerada um dos principais inimigos do povo de Israel. Entretanto, nem sempre foi assim.


Há cerca de 2.500 anos, vemos reis persas agindo com benevolência para com os filhos de Israel. Ciro, o Grande, conquistou a Babilônia e libertou os judeus por volta de 539 a 538 a.C. Dario I apoiou a reconstrução do Templo entre 520 e 516 a.C. Assuero, que muitos associam a Xerxes I, governou no período de Ester, em torno de 486 a 465 a.C. Já Artaxerxes I enviou Neemias para reconstruir os muros de Jerusalém por volta de 445 a.C. Contudo, há um cenário bem diferente da relação atual entre Israel e a Pérsia, o atual Irã. Porém, nem sempre o Irã moderno foi inimigo do Estado de Israel. Pelo contrário.


Durante o governo do Xá Mohammad Reza Pahlavi, a partir da década de 1950, Irã e Israel eram aliados próximos. Contudo, essa relação mudou radicalmente após a Revolução Islâmica Iraniana, que levou o aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder em 1979. Antes da revolução, ambos compartilhavam interesses estratégicos em comum, como conter o avanço do nacionalismo árabe e a influência soviética no Oriente Médio.


A cooperação envolvia áreas econômicas, militares e tecnológicas. O Irã forneceu grande parte do petróleo consumido por Israel, enquanto os dois países mantinham projetos conjuntos de infraestrutura, inteligência e defesa. Israel também auxiliou na modernização da agricultura iraniana e participou de programas militares secretos com o governo do Xá.


Essa aliança chegou ao fim com a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o Xá e levou o aiatolá Ruhollah Khomeini ao poder. Desde então, o Irã passou a adotar uma postura abertamente hostil a Israel.


Atualmente, o regime iraniano é acusado de financiar, treinar e armar grupos que compõem o chamado “Eixo da Resistência”, entre eles Hezbollah, Houthis, milícias xiitas no Iraque e na Síria, Jihad Islâmica Palestina e Hamas. Este último foi responsável pelo ataque de 7 de outubro de 2023 contra Israel, que resultou na morte de cerca de 1.200 israelenses e estrangeiros e gerou forte repercussão internacional devido às atrocidades cometidas contra civis, que incluíram o assassinato de bebês e a violência sexual contra mulheres grávidas."


É importante destacar que, antes mesmo da queda do governo do Xá, o crescimento gradual do islamismo radical dentro do Irã já contribuía para o enfraquecimento das relações entre Israel e o governo iraniano. Do mesmo modo, isso ilustra realidades espirituais operando em nosso meio. Sem ser percebido, o antissemitismo vem crescendo em parte do corpo da Igreja. Argumentos antissemitas têm sido, ao longo dos séculos, mesclados a alguns ensinamentos, ganhando forma e força com o passar do tempo.


Que argumento antissemita é esse?


Uma das principais mensagens de antissemitismo dentro do corpo de Cristo é a ideia de que “hoje o Israel espiritual de Deus é a Igreja” ou “nós somos o Israel de Deus”. Isso revela uma grande ignorância e também um orgulho espiritual, o espírito das nações se levantando contra a raiz de “Sem” em nosso meio (Rm 11:18).


O apóstolo Paulo fala sobre isso ao nos advertir para que não sejamos orgulhosos, pensando que, porque a salvação chegou até nós, Deus rejeitou Israel (Rm 11:25-27). É de suma importância compreender que não existe vida no corpo da Igreja que rejeita a oliveira do Senhor, pois fomos enxertados em Israel por meio de Jesus Cristo. Assim, as promessas feitas ao povo eleito foram estendidas também a nós, sem que isso significasse a interrupção ou a anulação das promessas feitas a Israel.


Nós éramos oliveira brava, uma árvore que não dava frutos. Porém, Deus estendeu sobre nós a promessa que estava sobre Israel. É isso que chamamos de salvação pela graça.


Não podemos solapar a identidade divina de Cristo, mas também não podemos retirar Sua identidade humana. Jesus é Deus, mas, em Sua forma humana, nasceu judeu. Portanto, pertence a Israel, assim como Israel pertence a Ele e às promessas do Pai (Rm 9:5).


Dessa forma, rejeitar a oliveira do Senhor, representada por Israel, é também rejeitar o próprio Messias. Nessa perspectiva, o antissemitismo manifesta um espírito contrário aos propósitos de Deus, pois uma das características atribuídas ao anticristo, é a perseguição aos filhos de Jacó.


Acreditar que a Igreja substituiu Israel é, nessa perspectiva, uma das maiores armadilhas espirituais já difundidas (Rm 11:1). A tentativa de ocupar o lugar de Israel seria deixar de compreender os planos de salvação de Deus. Afinal, o próprio Cristo abriu mão de Sua glória, veio em carne, nasceu de uma virgem da tribo de Judá, caminhou entre os homens, pregou o evangelho da salvação, morreu e ressuscitou sem experimentar corrupção em Seu corpo, e hoje está em glória junto ao Pai.


Nessa compreensão teológica, afirmar que a Igreja substituiu Israel seria um ataque direto à identidade humana e divina de Yeshua, aquele que, segundo a profecia bíblica, voltará a Sião e pisará o Monte das Oliveiras. Assim, parte da morte espiritual existente no meio cristão teria sua origem em doutrinas que, ao longo dos séculos, afastaram a Igreja de suas raízes hebraicas. Afinal, o Cristo revelado nas Escrituras nasceu judeu, da tribo de Judá.


Portanto, essa reflexão levanta uma pergunta espiritual: qual espírito está operando em nosso meio, o espírito de vida ou o espírito de morte? O favor à descendência de Sem ou o antissemitismo?


O antissemitismo no interior da nação do Irã foi crescendo de forma gradual, mesmo o país tendo uma história marcada por momentos de proximidade com o povo judeu. Da mesma forma, o argumento da substituição de Israel pela Igreja tem crescido em grande parte do corpo de Cristo. A questão é: iremos deixar acontecer conosco o que aconteceu com o Irã ou cortaremos esse mal pela raiz?


E como podemos fazer isso? Jesus já nos ensinou ao dizer que o interior do homem se torna em trevas quando seus olhos são maus (Mt 6:22-23). Isso significa que uma das formas de o antissemitismo se instalar dentro de nós é por meio de olhares altivos, acusadores e também pelo desejo de cobiçar uma posição que não nos pertence. Está escrito no décimo e último mandamento que não devemos cobiçar a casa do nosso próximo, nem sua mulher, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença (Êx 20:17).


"Se os teus olhos forem maus, arranca-os" (Mt 5:29). Precisamos remover aquilo que nos leva ao pecado, e isso começa, antes de tudo, pelo arrependimento. Somente assim conseguiremos ler a Bíblia da forma como ela foi escrita: de Israel para as nações, e do Salvador Yeshua para as nações.


Que, assim como amamos a Yeshua, o Messias de Israel, sejamos também aliados e amigos dos filhos de Israel, sem desejar ocupar o seu lugar ou substituí-los nos propósitos de Deus.


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1 comentário


Como é bom conhecer a verdade por trás das narrativas deste mundo. A nação de Israel é a nação escolhida pelo D'us vivo.

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